COM A BUNDA EXPOSTA NA JANELA

Na música “É”, Gonzaguinha diz que a gente não está com a bunda exposta na janela pra alguém passar a mão nela.

Mas, quando você se candidata a um cargo público político, tem de estar preparado para ficar exposto às críticas, às vezes justas, às vezes injustas! Ou seja, você passa quatro anos com a bunda exposta na janela e toda hora tem alguém passando a mão nela. Nem sempre é para fazer carinho, em geral é para aplicar lambadas.

Meu velho pai sempre dizia: quem muito se abaixa, a bunda aparece!

Ou, quem cospe pra cima, cai na cara. OU ainda, mais grosseiramente, "quem não tem c... não faz contrato com p...." Eita!

Sabedoria popular não tem limite.

Falta sabedoria, às vezes, para pessoas que querem se expor, gozar da fama e das vantagens de ser admirado, conhecido e novamente eleito, sem correr o risco de ser visto, criticado, receber reclamações.

O cara faz das tripas coração para ter um cargo de alta relevância e acha que sua vidinha continuará a mesma. Sinto informar, mas não vai.

“A imprensa pega no meu pé”. Ora, esconde o pé, anda na linha, não dá motivo, todos os dias.

Não adianta ficar dizendo “fulano também fez, sicrano fez pior”. Porra, fulano e sicrano estão fora, no ostracismo e até arriscando morrer na cadeia. Tu é que estás com a bunda exposta na janela, agora. Guenta!

Dizem os cariocas que camarão que dorme a onda leva. Eu digo, não anda na linha do trem que um dia ele te pega. Simples, assim.

De cada um se exige, às vezes exageradamente, um determinado comportamento. Quem pleiteia um cargo deve ter consciência do trabalho, das dificuldades e da “liturgia”, ou seja, daquilo que os outros esperam da gente. Se a carga for muito pesada, não brigue por ela ou entrega pra quem está mais a fim.

O resto é mimimi, choro, conversa mole, falta de responsabilidade.

Ou, talvez, falta de condições mentais, mesmo.

Puxe as calças e saia da janela. Ou aguente firme as palmadas na bunda.

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João Marcos Adede y Castro

JOÃO MARCOS ADEDE Y CASTRO é graduado em Direito pela Universidade Federal de Santa Maria, sendo Mestre em Integração Latino Americana, pela mesma Universidade.

 

É doutor em Ciências Jurídicas e Sociais, pela Universidade del Museo Social Argentino, e doutorando em Direito Civil pela Universidade de Buenos Aires, ambas de Buenos Aires.  

 

Foi Promotor de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul por quase 30  anos, tendo exercido as atribuições de Promotor de Justiça Especializada de Defesa Comunitária, com atuação preponderante nas áreas de defesa do meio ambiente, interesses sociais e coletivos e improbidade administrativa. É Professor Universitário.

 

 É membro e  foi Presidente da Academia Santa-Mariense de Letras, ocupando a cadeira número 16, cujo patrono é o escritor e jurista  Darcy Azambuja. É advogado em Santa Maria, RS.

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