CORONAVIRUS: CHOQUE SOCIAL


Sem nenhuma vontade de entrar na discussão se as medidas restritivas de relações sociais são adequadas ou exageradas, e movido do mais cavalar e idiota sentimento de obediência às determinações de quem entende do assunto, os cientistas, quero apenas fazer algumas considerações de caráter social.

As redes sociais, paraíso da democracia desenfreada e sem controle (o que é bom, diga-se de passagem), continuam bombando de defensores de teses conspiratórias que acham mais importante, nesse momento, discutir se o vírus é real ou imaginário, se nasceu e se espalhou pelo mundo acidentalmente ou estamos em guerra biológica provocada por interesses econômicos, que é bobagem essa coisa de lavar as mãos (meu avô viveu até os cem anos e tomava banho uma vez por mês!).

No início do século XX, entre 1918 e 1920, a gripe espanhola, causada por vírus Influenza A do subtipo H1N1, teria matado cerca de 50 milhões de pessoas no mundo todo, e tudo que se lê acerca do assunto indica as precárias condições de higiene pessoal, de ruas e de prédios como a causa principal da disseminação desenfreada e a resistência social à medidas de prevenção, controle e combate.

Imagino, e aí não tenho nenhuma base científica, que ainda fosse comum a crença que as doenças eram castigos divinos por pecados cometidos, de forma que era só rezar, pedir perdão e acreditar que “tudo vai dar certo”, caminho pavimentado para a desgraça.

Ora, eu acredito em Deus, mas mesmo Ele precisa que demos uma força, que rezemos mas tomemos medidas práticas para nos salvar, mesmo que seja necessário perder alguma grana (ou muita grana) e nos afastar das pessoas queridas.

As relações sociais vão mudar, para melhor, pois vamos valorizar mais nossos amigos e parentes, vamos relevar mais seus defeitos e elevar suas qualidades.

Vamos sair maiores e melhores no final desse túnel escuro e assustador.

Ou não, só depende de nós.

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João Marcos Adede y Castro

JOÃO MARCOS ADEDE Y CASTRO é graduado em Direito pela Universidade Federal de Santa Maria, sendo Mestre em Integração Latino Americana, pela mesma Universidade.

 

É doutor em Ciências Jurídicas e Sociais, pela Universidade del Museo Social Argentino, e doutorando em Direito Civil pela Universidade de Buenos Aires, ambas de Buenos Aires.  

 

Foi Promotor de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul por quase 30  anos, tendo exercido as atribuições de Promotor de Justiça Especializada de Defesa Comunitária, com atuação preponderante nas áreas de defesa do meio ambiente, interesses sociais e coletivos e improbidade administrativa. É Professor Universitário.

 

 É membro e  foi Presidente da Academia Santa-Mariense de Letras, ocupando a cadeira número 16, cujo patrono é o escritor e jurista  Darcy Azambuja. É advogado em Santa Maria, RS.

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