PENSO EM PARAR
Vou completar 64 anos em 2020, pois nasci em 1956. Nunca tive participação efetiva em atividades político-partidárias, mas me surpreendo escrevendo o tempo todo sobre política.
Mas, se conforme disse Aristóteles, “o homem é um animal político” e se a sociedade precisa de pessoas que a pensem, a organizem e a governem, então também sou um político.
Leio muito e escrevo o que penso. Às vezes morro abraçado às minhas ideias, outras me envergonho de ter pensado e escrito certas coisas. Fazer o quê, se as palavras orais voam com o vento e os escritos permanecem? Nada, a não ser assumir o erro e escrever de novo, de novo e de novo.
Conheço muitas pessoas que exercitam suas ideias em escritos que não publicam, o que acho válido, mas eu não consigo. Sempre que me dão espaço, publico em jornais, no Facebook, no Linkedin, etc. Alguém me disse que sou vaidoso. Talvez, mas esse sou eu.
Aposentei-me há mais de oito anos do cargo de Promotor de Justiça e desde lá advogo, o que me exige envolvimento em processos e na administração de meu escritório, mas sempre que sobra um tempinho, escrevo minhas bobagens.
Passo o tempo todo dizendo pra mim mesmo “cala essa boca grande, não vê que tu só te incomoda com isso”, mas escrever e publicar é um vício, bom, mas um vício do qual não consigo me livrar. Sinto-me tão livre quando escrevo, que é uma atividade solitária maravilhosa e mentalmente muito relevante pra mim.
Vejo as pessoas jovens que me cercam crescendo profissionalmente, estudando para ficar melhor preparadas, sonhando em lecionar, em fazer concurso, em mudar de cidade. Eu não consigo pensar que a vida, enquanto atividade de sonhar com o futuro, acabou pra mim.
A minha mais atual preocupação é comer o mínimo possível de carboidratos, entupir a barriga de verdura e não mais que oitenta gramas de carne por dia. De manhã, duas fatias de pão preto com uma fatia de queijo magro e uma de presento sem gordura. O lanche da tarde não passa de uma vitamina de fruta, sem açúcar, e à noite, repete o almoço. Só para perder uns quilos e manter a glicose nos níveis desejados. Ou seja, um pé no saco!
Então, droga, enquanto escrevo me sinto vivo.
Assim, penso em parar, mas sei que não cumprirei essa disposição, à não ser quando Deus me levar ao céu (não sei se diretamente, talvez com um longo estágio no purgatório).
Cala a boca, Adede.